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Imobiliária precisa ter assessoria jurídica?

Foto do escritor: Dra. Tatiane Rodrigues
Dra. Tatiane Rodrigues
31 de ago.
6 min de leitura

Uma imobiliária toma decisões todos os dias. Um proprietário pede para mudar uma cláusula do contrato. Um inquilino atrasa o aluguel. Surge uma dúvida sobre quem deve pagar determinado reparo. Um comprador entrega sinal e, depois, aparece um problema na documentação do imóvel.


Na maioria das vezes, essas situações começam pequenas. O problema é quando a equipe precisa decidir rapidamente e não sabe exatamente qual caminho seguir.


É nesse contexto que surge uma dúvida comum: a imobiliária precisa ter assessoria jurídica?


Não significa que todo contrato ou toda conversa com cliente precise passar por um advogado. A assessoria pode funcionar de outra forma: ajudando a imobiliária a organizar contratos e procedimentos e entrando principalmente quando aparece uma situação que foge do normal.


  1. O jurídico não serve apenas quando já existe um processo

É comum procurar um advogado quando o problema já aconteceu:

  • O aluguel não foi pago.

  • O proprietário quer encerrar o contrato.

  • O comprador desistiu.

  • Chegou uma notificação.

  • Existe discussão sobre comissão.


Nessa hora, o advogado trabalha com aquilo que já foi feito: contrato assinado, mensagens enviadas e decisões tomadas. A assessoria jurídica preventiva tenta entrar um pouco antes.


Por exemplo, revisando os documentos que a imobiliária utiliza com frequência e orientando como agir em situações que costumam se repetir. Isso pode envolver:

  • contratos de locação;

  • contratos de administração;

  • propostas de compra e venda;

  • notificações;

  • distratos;

  • garantias locatícias;

  • inadimplência;

  • dúvidas entre proprietário e inquilino;

  • documentação de compra e venda;

  • procedimentos internos da equipe.


A ideia não é colocar um advogado no meio de toda decisão. É evitar que situações importantes sejam resolvidas apenas no improviso.


  1. O contrato padrão nem sempre serve para todas as locações

Toda imobiliária precisa de modelos. Não faria sentido começar um contrato do zero toda vez que um novo imóvel entra na carteira. O cuidado está em não transformar o modelo em uma regra que serve para qualquer situação.


Uma locação residencial simples pode exigir uma estrutura. Um imóvel mobiliado, outra. Uma locação comercial pode ter necessidades completamente diferentes.

O mesmo acontece com as garantias. Fiador, caução e seguro-fiança não funcionam exatamente da mesma maneira.


Também existem questões que parecem pequenas na assinatura e ganham importância depois:

  • Quem ficará responsável por determinado reparo?

  • Como funcionará a vistoria?

  • Quando as chaves serão consideradas devolvidas?

  • O que acontece se houver atraso?

  • Quem pagará determinada despesa?


Se essas respostas não estão claras, a discussão costuma aparecer justamente quando surge o problema.


  1. Quando o aluguel atrasa, não basta apenas cobrar

Imagine uma imobiliária administrando dezenas de imóveis. Um locatário começa a atrasar. O proprietário quer uma solução imediata. Antes de decidir o que fazer, pode ser necessário conferir algumas coisas:

  • Quanto realmente está em aberto?

  • O que o contrato prevê?

  • Existe garantia?

  • Essa garantia ainda está válida?

  • Já houve outras cobranças?

  • O locatário respondeu alguma coisa?

  • Existe algum problema relacionado ao imóvel que também esteja sendo discutido?


Organizar essas informações ajuda a imobiliária a conversar com o proprietário de forma muito mais clara. E, se for necessário tomar uma medida jurídica, o caso já chega ao advogado com o histórico minimamente organizado.


Isso costuma ser melhor do que começar a procurar documentos apenas quando o conflito já aumentou.


  1. Compra e venda também traz situações que não são apenas comerciais

A imobiliária aproxima comprador e vendedor, mas a negociação pode levantar dúvidas que vão além do preço.


Imagine que Carlos faça uma proposta por um apartamento e entregue um valor como sinal. Poucos dias depois, aparece uma pendência na documentação do imóvel. A venda não poderá seguir da forma inicialmente imaginada:

  • E agora?

  • O sinal será devolvido?

  • Existe alguma multa?

  • O vendedor tinha se comprometido a resolver a pendência?

  • Havia prazo?

  • A proposta dizia o que aconteceria nessa situação?


A resposta depende muito daquilo que foi documentado antes. Por isso, proposta, recibo de sinal e contrato não deveriam ser vistos apenas como papéis necessários para fechar a venda. Eles precisam acompanhar aquilo que realmente foi combinado.


  1. A assessoria também pode ajudar a equipe a saber quando parar

Talvez esse seja um dos pontos mais úteis para uma imobiliária. O corretor ou atendente não precisa saber resolver juridicamente toda situação que aparece.


Mas precisa reconhecer quando está diante de algo diferente. Por exemplo:

  • um imóvel está em inventário;

  • o vendedor está sendo representado por procuração;

  • existe usufruto;

  • o proprietário quer incluir uma cláusula fora do padrão;

  • há uma discussão séria sobre danos no imóvel;

  • o comprador quer receber as chaves antes do pagamento previsto;

  • existe uma irregularidade na documentação;

  • surgiu uma dúvida sobre comissão.


Nesses casos, a equipe pode ter uma orientação simples: isso ainda pode seguir pelo procedimento normal ou precisa ser analisado antes de continuar?


Essa separação evita dois extremos. Nem tudo precisa ir para o advogado. Mas também não é interessante descobrir tarde demais que uma situação não deveria ter sido tratada como comum.


  1. Procedimentos claros ajudam a imobiliária a crescer

Quando uma empresa é pequena, muita coisa fica na memória das pessoas:

  • “Quando acontece isso, falamos com fulano.”

  • “Nesse caso, costumamos fazer assim.”

  • “Esse contrato é o que usamos sempre.”


Com o crescimento, esse modelo começa a ficar mais difícil. Entram novos colaboradores. A carteira aumenta. Mais proprietários fazem pedidos diferentes. Mais contratos estão em andamento ao mesmo tempo.


É nesse momento que alguns procedimentos internos passam a ajudar. Por exemplo:

  • O que conferir antes da assinatura de uma locação?

  • Quais documentos precisam estar na pasta?

  • Como registrar um atraso?

  • Quando uma notificação deve ser enviada?

  • Quem pode autorizar alteração em contrato?

  • Quais situações precisam ser encaminhadas ao jurídico?


Não é necessário criar um manual enorme. O importante é que decisões que acontecem todas as semanas não dependam apenas de quem está atendendo naquele momento.


  1. O WhatsApp também pode criar problema

Boa parte da relação com proprietários e locatários acontece por mensagem.E uma resposta rápida pode acabar tendo mais importância do que parecia:

  • “Pode fazer a obra.”

  • “Depois o proprietário paga.”

  • “Não se preocupe, não haverá multa.”

  • “Pode entregar as chaves dessa forma.”


Uma mensagem mal formulada pode criar uma expectativa diferente do contrato ou registrar uma autorização que ninguém pretendia dar daquela maneira. Não significa que cada WhatsApp precise ser escrito por advogado.


Mas situações que se repetem podem ter orientações e respostas-base. Assim, a equipe continua atendendo com agilidade sem precisar inventar uma solução diferente todas as vezes.


  1. Toda imobiliária precisa manter um advogado mensalmente?

Não necessariamente. Uma imobiliária com poucos negócios terá uma realidade diferente daquela que administra centenas de contratos.


O volume de locações, a quantidade de vendas, o tamanho da equipe e os problemas que aparecem com frequência ajudam a definir qual formato faz sentido.


Há imobiliárias que precisam de apoio recorrente. Outras podem utilizar o jurídico de forma mais pontual. Uma pergunta simples ajuda a perceber essa necessidade: quantas vezes, nos últimos meses, a equipe teve uma dúvida jurídica e precisou decidir sem saber exatamente como proceder?


Se os mesmos assuntos aparecem repetidamente: contratos, garantias, inadimplência, notificações, distratos, comissão ou documentação, talvez o problema já não seja apenas aquele caso específico. Pode existir algo no próprio procedimento que mereça revisão.


  1. Uma dica prática para a imobiliária

Pegue as principais dúvidas que surgiram nos últimos seis meses. Não precisa ser nada sofisticado. Anote os assuntos.


Se perceber que determinadas perguntas continuam voltando, vale investigar a origem:

  • A mesma dúvida sobre manutenção aparece toda semana?

  • Talvez o contrato ou a orientação para a equipe não estejam claros.

  • Há problemas frequentes na entrega das chaves?

  • Talvez o procedimento precise ser revisto.

  • Sempre surge discussão sobre determinada garantia?


Pode ser hora de reavaliar o modelo utilizado. Às vezes, corrigir a origem evita ter de resolver o mesmo problema contrato por contrato.


  1. Perguntas frequentes

a) A imobiliária pode usar o mesmo contrato em todas as locações? Pode utilizar um modelo como base, mas algumas locações precisam de ajustes. Tipo de imóvel, finalidade da locação, garantia e condições negociadas podem mudar o que precisa constar no contrato.


b) O advogado precisa analisar todos os contratos? Não necessariamente. Isso depende da forma como a assessoria é organizada. Situações comuns podem seguir modelos e procedimentos previamente revisados, enquanto casos diferentes recebem análise específica.


c) Assessoria jurídica serve apenas para locação? Não. Também pode auxiliar em questões envolvendo compra e venda, corretagem, comissão, documentação, notificações, contratos com proprietários e outras situações da atividade imobiliária.


d) Ter um bom contrato evita qualquer conflito? Não. Pessoas podem descumprir contratos ou interpretar uma situação de maneira diferente. Um documento claro ajuda a saber quais foram as regras combinadas e como agir quando surge uma divergência.


e) Então, imobiliária precisa ter assessoria jurídica? Não existe uma regra dizendo que toda imobiliária precisa manter uma assessoria jurídica permanente.


Mas, conforme a operação cresce, também aumenta o número de situações em que uma decisão aparentemente simples pode trazer consequência depois. O jurídico pode ajudar justamente aí.


Não para acompanhar cada conversa ou criar mais burocracia, mas para revisar documentos, organizar procedimentos e orientar os casos que saem da rotina.


Uma imobiliária que sabe o que pode resolver normalmente e quando precisa pedir uma análise antes de continuar tende a trabalhar de forma mais organizada.


E essa organização faz diferença quando surgem os problemas que nenhum contrato consegue eliminar completamente.


A Rodrigues & Felix Sociedade de Advogados presta assessoria jurídica para imobiliárias e profissionais do mercado imobiliário, com atuação em contratos, locações, compra e venda, corretagem e questões que surgem na rotina da atividade.


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