• Dra. Adriane Felix

Inventário Extrajudicial

Atualizado: Fev 7

O que é inventário extrajudicial? Quando o inventário pode ser feito extrajudicialmente? Qual o procedimento?



1. O que é inventário extrajudicial?


Inventário é o levantamento detalhado de todos os bens e dívidas deixados pelo falecido, para que, posteriormente seja efetivada a partilha de bens.


O inventário extrajudicial, é o detalhamento de todo o patrimônio, e, toda a dívida deixados pelo falecido, para avaliação, divisão e partilha entre os herdeiros, no entanto, referida avaliação ocorre no cartório de notas, e não perante ao poder judiciário, por este motivo, dá-se a nomenclatura de inventário extrajudicial

1.1 Quando o inventário poderá ser feito extrajudicialmente?


Cumpre salientar que, o inventário poderá ser feito tanto de forma judicial, como de forma extrajudicial, devendo seguir requisitos, para que seja verificado a forma que poderá ocorrer. Contudo, neste texto iremos discorrer apenas sobre o inventário extrajudicial.


O art. 610 do NCPC prevê as hipóteses em que é possível realizar o processo de inventário extrajudicialmente, vejamos:


  • Não pode conter testamento ou interessado incapaz conforme prevê o art.610 do NCPC, caso haja, procederá o inventário judicial;

  • Os herdeiros legítimos devem ser maiores e capazes;

  • Deverá conter a concordância dos herdeiros, caso haja discordância, o inventário prosseguirá por vias judiciais.

  • Deverá conter a presença de um advogado ou defensor público;


Preenchidos os requisitos, o mesmo poderá ser feito extrajudicialmente, através de escritura pública, sendo considerado documento hábil para qualquer ato de registro, e levantamento de valores depositados em instituições financeiras.


1.2 Sempre que houver testamento o inventário deverá ser realizado de forma extrajudicial?


Não necessariamente, pois, há um provimento da corregedoria geral do Estado de São Paulo, que possibilita a abertura do testamento de forma judicial, e, autoriza prosseguimento do inventário de forma extrajudicial, desde que, a solicitação para seguir com o inventário extrajudicial seja autorizada de forma expressa pelo juiz, e, que os demais requisitos para o inventário extrajudicial estejam presentes.

(Provimento CGJ N.º 37/2016 – Altera o item 129, do Capítulo XIV, das NSCGJ)


2. Prazo


O prazo para a realização do inventário está previsto no art. 611 do NCPC, como sendo de 02 (dois) meses a contar da data do falecimento do “de cujus” que deixou bens a serem inventariados.


2.1 Qual a multa para o inventário realizado fora do prazo?


Caso o inventário seja realizado fora do prazo legal, previsto no art. 611 do NCPC, a lei que dipõe sobre o ITCMD prevê 10% de multa, e, caso o atraso ultrapasse o período de 180 dias do falecimento do “de cujus”, o percentual da multa acresce para 20%

(Lei Nº 10.705 de 28/12/2000 dispõe sobre o ITCM Com as alterações das Leis 10.992, de 21-12-2001 (DOE 22-12-2001) e 16.050, de 15-12-2015 (DOE 16-12-2015), em seu capítulo VII, art. 21, inciso I )


3. Procedimento


Inicialmente deverá ser escolhido um cartório de notas, pois este será o local onde será realizado todo o procedimento, e, a contratação de um advogado.


Posteriormente, deverá ser nomeado um inventariante, o qual ficará responsável por administrar os bens do falecido, agora chamado de “espólio”, durante todo o procedimento, incluindo o pagamento de dívidas, se houver, classificação de bens e herdeiros, e, toda a documentação que for solicitada., sempre em conjunto com o Tabelião, o qual realizará o levantamento dos bens e dívidas do “de cujus”.


Destaca-se que, caso haja eventuais dívidas levantadas pelo tabelião, estas, deverão serem quitadas pelo próprio patrimônio do “de cujus”, até o encerramento de todos os débitos, ou no limite da herança, não repassando a responsabilidade aos herdeiros, para quitação de possíveis dívidas.


Além das dívidas, a família deverá elencar todos os bens e dívidas do falecido, certidões negativa de débitos, matrículas de imóveis, e toda a documentação dos bens móveis e imóveis, para que sejam reunidas pelo tabelião, para que seja realizada a efetiva partilha do montante, entre os herdeiros, após quitação de possíveis débitos.


4. Pagamento do Imposto


Nos casos de inventário o imposto a ser pago é o ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação), o qual em São Paulo possui a alíquota de 4% (quatro por cento) do montante a ser partilhado.


Nesta fase o inventar